Prefeituras confirmam 86 mortes e 3,6 mil casos a mais que o governo nos polos da pandemia em Minas

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Reprodução/Prefeitura de Uberlândia.

Uberlândia contabiliza 5.827 casos, mas tem oficialmente 3.071 registros



Cristiano Martins e Ígor Passarini

Do Coronavirus-MG.com.br

Publicado em 25/06/2020


Os números oficiais comprovam o agravamento da pandemia desde o início de junho em Minas Gerais. A situação, porém, é ainda pior do que a informada no boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Segundo um novo levantamento realizado pelo Coronavirus-MG.com.br, apenas nos 50 municípios mais afetados pela Covid-19, as prefeituras já confirmam ao menos 86 mortes e 3.650 casos além dos divulgados pelo governo estadual.


De acordo com a Secretaria, foram oficializados nessas cidades 551 óbitos e 23.695 diagnósticos até esta quinta-feira (25). Enquanto isso, os informes publicados ontem pelas administrações municipais já registravam números 15% maiores, com a confirmação de 637 vítimas e 27.345 testes positivos.





A comparação revela ainda que o descompasso aumentou (de 11% para 15%) em relação à semana passada, quando a SES anunciou uma atualização metodológica justamente para reduzir o atraso nos dados oficiais. Mesmo reconhecidamente defasados, os números são citados de forma recorrente pelo governo para exaltar o desempenho do estado durante a crise.


O exemplo que mais chama atenção é o de Uberlândia. A cidade já contabiliza 5.827 pacientes infectados e 93 óbitos provocados pelo novo Coronavírus, enquanto o boletim da Secretaria registra 3.071 contagiados e 66 vítimas. O atraso é de quase duas semanas, uma vez que os números da prefeitura haviam aumentado de 3.060 para 3.599 ainda entre 12 e 13 de junho.


A quantidade real de pessoas infectadas, inclusive, indica o município do Triângulo Mineiro como o mais afetado em todo o estado, à frente de Belo Horizonte a capital aparece no topo da listagem oficial com 4.942 casos confirmados.





O problema havia sido apontado em um estudo publicado no início do mês pelos pesquisadores Otavio Ranzani e Luciana Drumond, integrantes da Rede Análise COVID-19. Eles compararam os dados da SES com os informes de 19 cidades mineiras entre os dias 25 e 29 de maio e identificaram, na ocasião, diferenças de até 284 registros somados.


Posteriormente, a TV Globo Minas realizou a mesma comparação considerando as 20 maiores cidades do estado e encontrou 2.075 casos a mais dentro desse recorte.


"Desde o início da pandemia há uma discrepância. O que se mostra mais preocupante é o crescimento da diferença entre esses dados com o passar do tempo, juntamente com o aumento do número de casos e óbitos nos municípios. Isso demonstra cada vez mais os gargalos e a falta de sincronismo entre as secretarias municipais e estadual", avalia Luciana Drumond, diante do novo levantamento apresentado pelo Coronavirus-MG.com.br.


A pesquisadora lembra que os boletins publicados pela SES são os mesmos que alimentam os balanços do Ministério da Saúde, além de estudos acadêmicos e monitoramentos diários como os realizados pelo consórcio dos grandes grupos de imprensa e pelos sites Brasil.io e Lagom Data, entre outras iniciativas independentes. "Esses dados tão atrasados também refletem nos números nacionais e implicam em um retrato de dias atrás da pandemia", conclui Luciana.


"Isso demonstra os gargalos e a falta de sincronismo entre as secretarias municipais e estadual. Esses dados tão atrasados refletem nos números nacionais e implicam em um retrato de dias atrás da pandemia"


Metodologia

O Coronavirus-MG.com.br comparou o boletim desta quinta-feira (25) da Secretaria de Estado de Saúde com os informes epidemiológicos publicados na véspera pelas prefeituras dos 50 municípios com mais casos oficialmente confirmados. O processo foi repetido para as duas semanas anteriores, considerando, desta maneira, os dias 24/25, 17/18 e 10/11 de junho.

A escolha pelo dia anterior teve o objetivo de minimizar disparidades ainda maiores provocadas eventualmente pelas diferenças nos horários de fechamento dos balanços pelas administrações municiais. Os dados coletados podem ser consultados detalhadamente nesta planilha.


Ao anunciar a mudança na metodologia de confirmação dos casos, no último dia 16, a SES argumentou que as diferenças poderiam ser explicadas pelo repasse ou não dos dados mais atuais, por parte das prefeituras, para o sistema de monitoramento em tempo real.


"Os municípios devem notificar os casos suspeitos e confirmados nos sistemas de informação. Pode acontecer de o município não executar o procedimento imediatamente, ou até demorar dias para fazê-lo, o que já explica um gargalo desta contabilidade", diz o comunicado.


Por outro lado, a coordenadora da Sala de Situação da SES, Janaína Passos, reconhece a sobrecarga provocada pelo aumento no número de casos. "No início da pandemia, a metodologia adotada conseguiu realizar todos os levantamentos de informações para avaliação diária. Porém, com o avanço da pandemia, o processo vem sofrendo um estrangulamento”, admite.



CORONAVIRUS-MG.COM.BR