Covid avança pelo interior de Minas e faz o dobro de vítimas fora da Região Central

O conteúdo desta página está liberado para reprodução, desde que creditados os autores e o projeto Coronavirus-MG.com.br.


Conheça nossa campanha de financiamento colaborativo e participe: apoia.se/coronavirus-mg

Valter de Paula/Prefeitura de Uberlândia

Apesar da abertura de novos leitos em abril, UTIs já estão esgotadas no Triângulo Norte



Cristiano Martins

Do Coronavirus-MG.com.br

Publicado em 16/06/2020

A Covid-19 vem se espalhando com mais velocidade pelo interior de Minas Gerais. Segundo novo levantamento realizado pelo Coronavirus-MG.com.br, o número de mortes provocadas pela pandemia duplicou desde o início de junho fora da região Central. E os recursos hospitalares já começaram a se esgotar longe da capital.


A doença matou mais do que o dobro de pessoas no interior, considerando a divisão administrativa utilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Até esta terça-feira (16), quando a pandemia completa oficialmente 100 dias em Minas, foram 152 mortes na área metropolitana contra 337 nas demais regiões, além de 13 casos importados de outro estado/país ou com residência indeterminada.





Proporcionalmente, Belo Horizonte e cidades vizinhas que dependem do sistema de saúde da capital concentram 30,3% das vítimas mineiras, enquanto outras 67,1% moravam no interior. A situação preocupa especialistas e autoridades.


"Para além da evolução diária dos casos, é preciso também acompanhar o processo de interiorização e popularização da pandemia", alertava o último relatório produzido pelos centros de Operações de Emergência em Saúde (COES) e de Controle de Doenças e Pesquisa em Vigilância (CMC). "Ao alcançar o interior, o número irá aumentar consideravelmente, assim como observado em São Paulo", diz o balanço publicado no dia 3 de junho, quando eram 200 os óbitos fora da região central.


"Ao alcançar o interior, o número de casos irá aumentar consideravelmente, assim como observado em São Paulo"

Segundo os últimos dados da SES, as regiões do interior com mais mortes por Covid-19, em números absolutos, são a Sudeste (Juiz de Fora) e a Sul (Alfenas). Em termos proporcionais, a letalidade a cada 100 mil habitantes é maior no Sudeste e no Vale do Aço (Ipatinga).


Ainda de acordo com os boletins epidemiológicos da secretaria estadual, a região Central contabiliza 8.017 casos confirmados da doença, contra 13.633 diagnósticos positivos distribuídos pelo restante do estado.






Alerta ligado para velocidade de transmissão


O tão esperado achatamento da curva encontra-se estagnado de acordo com os analistas. "Percebe-se que o deslocamento à direita está se tornando cada vez mais sutil. Ou seja, não é observada redução da velocidade da pandemia. Supõe-se que Minas Gerais está no início do aumento exponencial no número de casos", apontava o relatório publicado no início do mês.


"Supõe-se que Minas Gerais está no início do aumento exponencial no número de casos"

A velocidade do contágio também confirma a disseminação mais intensa pelo interior. Segundo os registros disponíveis até 26 de maio, o indicador Rt (número médio de casos secundários gerados a partir de cada pessoa infectada) era maior nas regiões Leste Sul, Centro Sul e Vale do Aço, seguidas pelas regiões Oeste, Triângulo Norte e Nordeste.


Os índices nessas localidades variavam entre 1,46 e 2,78, sendo que os valores acima de 1,2 já são classificados como "nível de alerta".



UTIs sobrecarregadas em cinco regiões


A preocupação aumenta à medida em que a oferta de leitos diminui na rede assistencial, em especial no sistema público. Em cinco das 14 regiões de saúde de Minas Gerais já não há leitos disponíveis de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) nos estabelecimentos do SUS.


São elas: Vale do Aço, Nordeste, Triângulo Norte, Leste e Jequitinhonha. Juntas, essas áreas reúnem 201 municípios e aproximadamente 4 milhões de habitantes.





A taxa geral de ocupação das UTIs é de 72,7% no estado, sendo 13,2% por pessoas diagnosticadas com Covid-19. A boa notícia é que a região Central (única com menos de 40% de lotação), ainda possui 603 unidades livres e poderia eventualmente receber pacientes transferidos de outros locais.


O governo espera que a situação não chegue a esse ponto. Ontem, o secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, anunciou uma nova etapa de ampliação das UTIs, a ser realizada ao longo dos próximos 45 dias.


“Nós teremos a capacidade de ampliar 140 leitos no interior. Com isso, manteremos aquela ideia da oferta perante a demanda, a necessidade dos leitos e a necessidade da epidemia. Mas a ampliação só terá resultado se o isolamento for mantido de forma adequada. Isso também vale para a Região Metropolitana. Nós precisamos de um isolamento adequado. Vários municípios já retroagiram nesse isolamento”, ressaltou Amaral em entrevista coletiva.


De acordo com a SES, o índice de lotação em 100% não siginifica que o atendimento esteja sendo negado aos pacientes. A secretaria alega que pode haver uma sobreposição de casos registrados durante as trocas de turno nos hospitais, especialmente após as 23h59, quando as altas médicas são cadastradas no sistema.


No último dia 6, contudo, o jornal O Tempo revelou que havia pacientes de Governador Valadares (Leste) e Ladainha (Nordeste) recebendo atendimento em Ipatinga (Vale do Aço), onde os leitos também já estavam esgotados.

Leia mais Governo ocultou dados que revelam sobrecarga de até "136%" em regiões com menos UTIs

Governo mantém número inflado em canais oficiais; associação de cartórios confirma erro Mortes por SRAG aumentam 884% e estão na fila de testes para Covid desde fevereiro


CORONAVIRUS-MG.COM.BR