Mais de 2,6 milhões de mineiros vivem longe de uma UTI; governo já prepara transporte de pacientes

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Gil Leonardi/Agência Minas

Governo entregou 951 leitos de UTI entre fevereiro e o início de junho



Cristiano Martins

Do Coronavirus-MG.com.br

Publicado em 22/06/2020


O governo de Minas Gerais conseguiu ampliar em 46,5% a oferta de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) na rede pública de saúde desde fevereiro. Mesmo assim, mais de 2,6 milhões de pessoas vivem em microrregiões ainda desprovidas de leitos. Diante do aumento dos casos de Covid-19 no interior, a admistração estadual já trabalha em um plano para transferir pacientes entre diferentes polos, enquanto a taxa geral de ocupação não para de crescer.


De acordo com dados obtidos com exclusividade pelo Coronavirus-MG.com.br por meio da Lei de Acesso à Informação, 16 das 89 divisões administrativas do Sistema Único de Saúde (SUS) receberam um acréscimo de 100% ou mais na quantidade de equipamentos habilitados até o início de junho.


Destas, apenas quatro incluem polos macrorregionais principais ou complementares (Betim, Divinópolis, Montes Claros e Pouso Alegre), o que indica uma tentativa de descentralização do atendimento. As áreas mais beneficiadas, proporcionalmente, foram Salinas, Betim, João Monlevade, Divinópolis e Unaí. Em termos absolutos, os maiores reforços aconteceram em Belo Horizonte, Montes Claros, Betim, Juiz de Fora e Divinópolis.


Por outro lado, 29 microrregiões continuam sem um leito sequer à disposição. Elas reúnem 196 municípios e 12,5% da população total do estado: aproximadamente 2.651.500 pessoas, segundo as estimativas mais atuais utilizadas pelo próprio SUS. Uma grande parcela, portanto, de cidadãos dependentes da rede assistencial de áreas vizinhas mais estruturadas.


Na comparação com fevereiro, essa situação só mudou em Salinas, beneficiada com cinco leitos de terapia intensiva (veja a lista completa ao fim da reportagem).




A análise também revela que, ao todo, 43 das 89 microrregiões ainda aparecem abaixo do piso de 10 leitos de UTI a cada 100 mil habitantes, número recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mesmo antes da pandemia. Essa distribuição melhorou em relação a fevereiro, quando eram 66 as localidades com estrutura inferior ao mínimo indicado pela entidade.


O assunto está no centro das atenções em Minas Gerais, uma vez que a taxa de ocupação das UTIs subiu de 72,7% para 88,4% em apenas uma semana, alavancada pela disseminação da Covid-19 pelo interior.


"O número dos últimos dias está nos assustando, ele aumentou muito mais do que o previsto", declarou o governador Romeu Zema no sábado (20), quando foi registrado o recorde de 36 óbitos confirmados em 24 horas. Hoje, o número oficial de mortes provocadas pelo novo Coronavírus no estado chegou a 688.


"O número dos últimos dias está nos assustando, ele aumentou muito mais do que o previsto"


Transporte de pacientes


Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que trabalha desde o início da pandemia na construção de planos macrorregionais, mas já vem estruturando um novo serviço especialmente para transportar pacientes em caso de necessidade. O anúncio marca uma nova fase na gestão da crise, pois essa possibilidade não vinha sendo tratada abertamente.


"Foi feito um planejamento para aquisição de ambulâncias, mas o prazo para a entrega era superior a 120 dias, inviabilizando o processo. Sendo assim, a secretaria identificou outra possibilidade [...] Em breve, teremos um contrato que poderá ampliar o transporte de pacientes de outras regiões para lugares que tenham leitos disponíveis para atendimento", diz o comunicado, sem informar mais detalhes (leia a íntegra ao fim desta reportagem).





A quantidade de leitos adultos de UTI disponíveis para tratamento de Covid-19 na rede pública aumentou de 2.013 para 2.949 entre fevereiro e o início de junho. Em termos proporcionais, o incremento foi de 9,5 para 13,9 unidades a cada 100 mil habitantes.


Os números detalhados haviam sido solicitados ao governo de Minas pelo Coronavirus-MG.com.br ainda em abril, mas só foram obtidos após a apresentação de um recurso baseado na Lei de Acesso à Informação. Na época, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) havia alegado não dipor de dados atualizados por município ou microrregião.


As planilhas agora disponibilizadas pela Superintendência de Regulação da SES estão atualizadas até o dia 4 de junho. De lá para cá, o governo anunciou ter instalado mais 15 unidades, totalizando 2.964. Destas, 2.930 já estão habilitadas e disponíveis para uso no momento, de acordo com a secretaria.


Os números obtidos pelo Coronavirus-MG.com.br são, portanto, os mais atualizados e mais detalhados sobre a situação em Minas, uma vez que os últimos dados municipais ou regionais consolidados pelo Ministério da Saúde ainda são os relativos ao mês de abril.


As planilhas enviadas pela Superintendência de Regulação incluem informações sobre leitos clínicos, UTIs pediátricas e respiradores detalhados por microrregião. O arquivo está disponível para consulta e download neste link.


Reprodução/SES

Só duas macrorregiões têm ocupação inferior a 70% (Norte e Leste Sul), enquanto três já não possuem leitos disponíveis no sistema público (Vale do Aço, Triângulo Norte e Nordeste)




Nota da Secretaria de Estado de Saúde:


Desde o início da pandemia, a SES trabalha na construção de plano macrorregionais. Toda região do estado é alvo de um estudo para identificar quantos leitos já existem, quantos leitos são necessários e quantos são passíveis de ampliação, considerando equipamentos, recursos humanos e profissionais de saúde, por exemplo.


Com os planos criados, iniciam-se as tratativas para de fato alcançar essa ampliação. Uma parte é a questão dos respiradores, como divulgado. O Governo do Estado fez uma compra superior a mil ventiladores. Nesta semana recebemos 500 ventiladores. Saiba mais em: http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/romeu-zema-anuncia-a-entrega-de-500-respiradores


A SES tem mapeado possibilidades de ampliação de contratos existentes para transporte. Foi feito um planejamento para aquisição de ambulâncias, mas, infelizmente, o prazo para a entrega de ambulâncias era superior a 120 dias, inviabilizando o processo. Sendo assim, a secretaria identificou outra possibilidade, que era a estruturação de um serviço para transportar pacientes. Esse processo já está em andamento e em breve teremos um contrato que poderá ampliar o transporte de pacientes para outras regiões para lugares que tenham leitos disponíveis para atendimento.

A SES iniciou uma rotina de reuniões com todas as macrorregiões. A Secretaria convidou todos os secretários municipais de saúde das regiões e também todos os prefeitos, participando, na média, 160 gestores de cada região, para tirar dúvidas, indicar o planejamento, receber feedback. A SES mantém um diálogo constante. Além disso, por meio da Subsecretaria de Gestão Regional, onde a maior parte dos servidores da SES estão alocados, espalhados por 28 Regionais, são Superintendências e Gerências distribuídas pelo território do estado, intensificamos o contato direto. Os gerentes e superintendentes regionais mantém o contato constante com os gestores municipais. Essa roda de reuniões, que vai ser permanente, é mais um canal direto com o nível central.


Nesse cenário, o Governo de Minas tem buscado para ampliar o número de leitos para atender a população. No início de fevereiro, o estado contava com 2.013 leitos de UTI na rede pública de saúde. Atualmente, há 2.964 leitos de terapia intensiva na rede, além da incorporação de mais 23 UTIs na Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig). Isso representa um aumento, em 4 meses, quase 1.000 leitos, 48% a mais do que o número inicial. O dado mostra que, efetivamente, o estado conseguiu ampliar a capacidade assistencial para o enfrentamento da pandemia.


No entanto, a SES-MG destaca que sem distanciamento social é impossível a adequação de qualquer capacidade assistencial. O distanciamento social tem por objetivo evitar que as pessoas se coloquem em situações que as levem a procurar os serviços de saúde, causando um aumento nas taxas de ocupação de leitos do estado. O isolamento e as medidas de proteção permitem, efetivamente, um controle da epidemia e a preservação da vida dos mineiros.

Lista completa de microrregiões sem UTIs:

- Águas Formosas (Águas Formosas, Bertópolis, Crisólita, Fronteira dos Vales, Machacalis, Pavão, Santa Helena de Minas, Umburatiba)

- Almenara (Almenara, Bandeira, Felisburgo, Jacinto, Jequitinhonha, Joaíma, Jordânia, Mata Verde, Palmópolis, Rio do Prado, Rubim, Salto da Divisa, Santa Maria do Salto, Santo Antônio do Jacinto)


- Araçuaí (Araçuaí, Berilo, Coronel Murta, Francisco Badaró, Jenipapo de Minas, Virgem da Lapa)


- Bocaiúva (Bocaiúva, Engenheiro Navarro, Francisco Dumont, Guaraciama, Joaquim Felício, Olhos-d'Água)


- Bom Despacho (Bom Despacho, Dores do Indaiá, Estrela do Indaiá, Luz, Martinho Campos, Moema, Serra da Saudade)


- Cássia (Capetinga, Cássia, Claraval, Delfinópolis, Ibiraci)


- Congonhas (Congonhas, Desterro de Entre Rios, Entre Rios de Minas, Jeceaba, Ouro Branco, São Brás do Suaçuí)


- Coração de Jesus (Coração de Jesus, Jequitaí, Lagoa dos Patos, São João da Lagoa, São João do Pacuí)


- Francisco Sá (Botumirim, Capitão Enéas, Cristália, Francisco Sá, Grão Mogol, Josenópolis)


- Frutal (Carneirinho, Comendador Gomes, Fronteira, Frutal, Itapagipe, Iturama, Limeira do Oeste, Pirajuba, Planura, São Francisco de Sales, União de Minas)


- Guanhães (Carmésia, Dom Joaquim, Dores de Guanhães, Guanhães, Materlândia, Rio Vermelho, Sabinópolis, Senhora do Porto, Virginópolis)


- Itambacuri (Campanário, Frei Gaspar, Itambacuri, Nova Módica, Pescador, São José do Divino)

- Itaobim (Comercinho, Itaobim, Itinga, Medina, Monte Formoso, Ponto dos Volantes)


- Januária (Bonito de Minas, Cônego Marinho, Itacarambi, Januária, Pedras de Maria da Cruz)


- João Pinheiro (Brasilândia de Minas, João Pinheiro, Lagoa Grande)


- Lima Duarte (Andrelândia, Arantina, Bias Fortes, Bocaina de Minas, Bom Jardim de Minas, Liberdade, Lima Duarte, Olaria, Passa-Vinte, Pedro Teixeira, Rio Preto, Santa Rita de Jacutinga,

Santa Bárbara do Monte Verde)


- Manga (Juvenília, Manga, Miravânia, Montalvânia, São João das Missões)


- Mantena (Central de Minas, Divino das Laranjeiras, Itabirinha, Mantena, Mendes Pimentel, Nova Belém, São Félix de Minas, São João do Manteninha)


- Nanuque (Carlos Chagas, Nanuque, Serra dos Aimorés)


- Padre Paraíso (Caraí, Catuji, Itaipé, Padre Paraíso)


- Peçanha (Cantagalo, Frei Lagonegro, Paulistas, Peçanha, São João Evangelista, São José do Jacuri, São Pedro do Suaçuí)


- Pedra Azul (Águas Vermelhas, Cachoeira de Pajeú, Divisa Alegre, Divisópolis, Pedra Azul)


- Resplendor (Aimorés, Alvarenga, Conselheiro Pena, Cuparaque, Goiabeira, Itueta, Resplendor, Santa Rita do Itueto)


- Santa Maria do Suaçuí (Água Boa, José Raydan, Santa Maria do Suaçuí, São Sebastião do Maranhão)


- São Gotardo (Arapuá, Carmo do Paranaíba, Matutina, Rio Paranaíba, Santa Rosa da Serra, São Gotardo, Tiros)


- São João Nepomuceno (Bicas Descoberto, Guarará, Mar de Espanha, Maripá de Minas, Pequeri,

Rochedo de Minas, São João Nepomuceno, Senador Cortes)


- Serro (Serro, Alvorada de Minas, Conceição do Mato Dentro, Santo Antônio do Itambé, Serra Azul de Minas)


- Turmalina (Aricanduva, Capelinha, Chapada do Norte, José Gonçalves de Minas, Leme do Prado,

Minas Novas, Turmalina, Veredinha)

- Vespasiano (Confins, Lagoa Santa, Matozinhos, Pedro Leopoldo, Santana do Riacho, São José da Lapa, Vespasiano)


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